18 Jun, 2009
Por quê, nos dias atuais, as alergias e intolerâncias alimentares tornaram-se tão frequentes?
Não se tem tantas referências de crianças com intolerância à lactose e/ou com alergias às proteínas do leite, na época dos pais e principalmente, dos avós. Qual é o verdadeiro motivo?
Esse fenômeno metabólico é uma manifestação provocada por várias causas. Os pais desses bebês não possuem o mesmo metabolismo de seus avós. Nem mesmo o meio ambiente assemelha-se ao deles. A natureza proveu o organismo humano de recursos suficientes para combater os radicais livres que causam o estresse oxidativo, mas houve uma interferência muito grande nesse processo.
O homem desenvolveu novas formas de suprir sua necessidade vital de nutrição, afastando-se dos alimentos capazes de proporcionar um bom suporte orgânico para o combate aos radicais livres. Ademais, aumentou de forma assustadora a quantidade de poluentes no ambiente.
Hoje em dia, uma pessoa média de 70 kg ingere, por ano, 5Kg de aditivos alimentares e tem 4,5L de pesticidas e herbicidas espalhados nas frutas e verduras que ingere. Também são consumidos resíduos de nitratos, de hormônios e de antibióticos, chumbo, alumínio, cobre e diversas outras substâncias indesejáveis, tanto por meio da água quanto dos alimentos. De acordo com dados britânicos, de cem anos para cá, o nível de chumbo aumentou 750 vezes. Seis mil novos agentes químicos foram introduzidos na alimentação, em casa e no mundo nos últimos vinte anos.
A conscientização no planeta, ainda é muito pequena sobre o grau de intoxicação que, paulatinamente, vai sobrecarregando o sistema imunológico do corpo humano. São informações que revelam uma intoxicação lenta e progressiva por poluentes e agentes oxidantes. Intoxicação que pode ser proveniente do ar, da água, dos alimentos, do estresse provocado pelo estado emocional do indivíduo (cobranças, trabalho etc), do excesso de medicação que uma pessoa possa estar utilizando ou mesmo, da sobrecarga de exercícios físicos. Sabe-se que compostos tóxicos podem competir com o substrato, pelo centro ativo de uma enzima, deixando a mesma, inativada. A lactase ou β-galactosidase, também pode ser afetada por esse e por diversos outros motivos.
Ao sobrecarregar o organismo com compostos tóxicos, há uma maior demanda orgânica de nutrientes como minerais, vitaminas, gorduras essenciais (como o ômega três) e aminoácidos essenciais provenientes de boas fontes protéicas. Contudo, dentro da cultura ocidental, a alimentação se vê cercada de produtos excessivamente salgados e/ou açucarados, como também, excessivamente refinados. Como exemplo do malefício nutricional, tem-se o refino da farinha de trigo, que através de seu “beneficiamento”, são retirados: 85% do magnésio, 60% do cálcio, 78% do zinco,76%do ferro,77% da vitamina B1, 80% da vitamina B2,72% da vitamina B6, 81% da vitamina B3 e 86% da vitamina E!
As vitaminas e os minerais são importantes co-fatores para tornar uma enzima ativa, sobretudo os de íons monovalentes, como Na, K (sódio e potássio) e vitaminas como a B1, B3 e B6.
É inegável o crescimento do nível de estresse da sociedade moderna, que se encontra atuando dentro de um meio bastante competitivo e sendo insistentemente, levada ao consumo pela necessidade de ter o que todos estão comprando e pelo medo de não conseguir chegar até o mesmo “degrau” dos seus colegas, parentes e amigos.
Com isso, aumenta mais, a predisposição de um indivíduo ao ataque maciço dos radicais livres, ao surgimento de pequenas inflamações nos pontos onde o sistema de defesa de uma pessoa esteja (pelos fatores mencionados acima associados a sua individualidade bioquímica) menos eficiente e por isso, mais vulnerável a agentes oxidantes e a microrganismos externos, como as bactérias que causam laringites, otites, sinusites…
Quando ocorre uma cadeia de desencontros metabólicos, estes culminam em uma ou mais deficiências digestivas, como a intolerância à lactose (pela falta de uma enzima fabricada em uma parte sensível da mucosa intestinal) ou desequilíbrios na resposta imunológica, como a alergia às proteínas do leite de vaca.
O sistema de defesa dos bebês encontra-se em plena fase de formação e é justamente por esse motivo, que quadros de intolerância e de alergias aparecem de forma tão nítida, evidenciando maior vulnerabilidade .
Um bebê ao nascer, inicia sua construção de defesa, acionando mecanismos de mensagens de alerta e construção das células de defesa (linfócitos B e T) anticorpos, citocinas, como as interleucinas e os interferons. Com a exposição à atmosfera, gera-se a necessidade de adaptação. Um pequeno ser, com suas defesas ainda em construção, é exposto ao mesmo meio em que um adulto está tendo problemas para se adaptar…
Logo mais, o restante desta matéria será publicado.